O Lançamento foi em julho de 2000, no salão não cabia mais gente, era um mar de comunidades para ver o livro Capão Pecado ser lançado.
Amigos, desconhecidos, parentes, gente vinha de todos os lugares para prestigiar o primeiro livro retratando o Capão Redondo, suas tretas e suas alegrias, tudo romanceado por um menino que sonhava em ser escritor.
O que passei para escrever o livro, virou história do passado, as tirações, piadas, se for lembrar mesmo dá raiva, mas hoje posso entender, com tanta baixa estima, desemprego, fome, tiro, falar de literatura era coisa de louco mesmo.
bom, depois de oito anos o sonho continua, o Capão Pecado está chegando em todas as escolas esse mês, pelo ministério da educação, FNDE. [...] São 25.000 livros, imagina quantos muleques vão passar as mãos pelas páginas que escrevi, loko pra carai, pra quem me falou que eu tava chapando, agora é capaz de pegar o filho lendo o trampo.
Umas pessoas que foram retratadas, gente que passou desta, sem deixar vestígios, a não ser no livro, uma época que deixou saudade, nada de crime organizado.
A quebada mudou muito em 8 anos, agora temos sarau, temos gente que nos ouve, temos vários escritores, poetas, e rimadores em geral,e tudo isso é nosso porra! Num foi ganhado, foi tomado, de um em um menino, de uma a uma menina, que via nos nossos versos algo pra se espelhar. Isso dá um orgulho monstro, e quando passo pelo que estou passando eu me agarro nisso tudo e penso em ir mais a frente, sabe porque? por que não tem mais limite, agente descobriu isso, e agora fudeu.
Se isso não revolução, o que é?
esses dias trombei o Zóião, um amigo aqui da favela Santiago, que cresceu comigo.
ele chegou da escola, comprimentou todo mundo que estava na roda e já foi falando.
- Num é tiração? Eu vou pra escola, e o livro que agente vai estudar é desse cara aqui, num basta isso, e eu falo pra professora, que ele é meu amigo, e que vive na favela lá com agente, e ela saiu rindo, falando pra eu parar de mentir.
Não é mentira não professora, agente que escreve a literatura marginal, somos feitos de FAVELA.
Amigos, desconhecidos, parentes, gente vinha de todos os lugares para prestigiar o primeiro livro retratando o Capão Redondo, suas tretas e suas alegrias, tudo romanceado por um menino que sonhava em ser escritor.
O que passei para escrever o livro, virou história do passado, as tirações, piadas, se for lembrar mesmo dá raiva, mas hoje posso entender, com tanta baixa estima, desemprego, fome, tiro, falar de literatura era coisa de louco mesmo.
bom, depois de oito anos o sonho continua, o Capão Pecado está chegando em todas as escolas esse mês, pelo ministério da educação, FNDE. [...] São 25.000 livros, imagina quantos muleques vão passar as mãos pelas páginas que escrevi, loko pra carai, pra quem me falou que eu tava chapando, agora é capaz de pegar o filho lendo o trampo.
Umas pessoas que foram retratadas, gente que passou desta, sem deixar vestígios, a não ser no livro, uma época que deixou saudade, nada de crime organizado.
A quebada mudou muito em 8 anos, agora temos sarau, temos gente que nos ouve, temos vários escritores, poetas, e rimadores em geral,e tudo isso é nosso porra! Num foi ganhado, foi tomado, de um em um menino, de uma a uma menina, que via nos nossos versos algo pra se espelhar. Isso dá um orgulho monstro, e quando passo pelo que estou passando eu me agarro nisso tudo e penso em ir mais a frente, sabe porque? por que não tem mais limite, agente descobriu isso, e agora fudeu.
Se isso não revolução, o que é?
esses dias trombei o Zóião, um amigo aqui da favela Santiago, que cresceu comigo.
ele chegou da escola, comprimentou todo mundo que estava na roda e já foi falando.
- Num é tiração? Eu vou pra escola, e o livro que agente vai estudar é desse cara aqui, num basta isso, e eu falo pra professora, que ele é meu amigo, e que vive na favela lá com agente, e ela saiu rindo, falando pra eu parar de mentir.
Não é mentira não professora, agente que escreve a literatura marginal, somos feitos de FAVELA.
Ferréz/num frio montro, mas aquecido pelas páginas da vida.
(Grifos by Coisas de Idiota)






